quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

pelo direito de não ser tratada como anexo

a conhecida passa uns cinco, seis anos sem te ver, até que vocês se encontram por acaso.
rola aquele abraço, aquele "nossa quanto tempo".
E LÁ VEM A BOMBA:
"ta bonita ein, já arranjou um namorado?"
é a primeira coisa que ela pergunta.
minha memória não é tão boa, mas tenho quase certeza que da última vez que nos vimos eu ainda estava no colégio.
ela não pergunta se eu estou estudando.
não pergunta pela minha família, de quem ela é ~muito amiga.
não pergunta se eu tenho um trabalho.
NÃO.
porque só uma coisa importa na vida de uma mulher: ter um macho.
toda uma vida de possibilidades reduzida a isso.
é como se eu precisasse de um homem para validar minha existência.
aquilo me pegou de surpresa.
sim, eu sei, esse tipo de pergunta surge com frequência nessa época do ano.
só não esperava que fosse ser assim, logo a primeira.
eu passo uns dois segundos meio que em choque, apenas balançando a cabeça negativamente para a pessoa sorrindo diante de mim.
"não, não preciso de um."
ela - apressada e cheia de sacolas - faz uma expressão de pena,
me dá um beijo no rosto, diz "toda mulher precisa. você é jovem, vai mudar de ideia" e desce correndo do ônibus.
ela vai embora sem me dar tempo pra explicar.

explicar que EU sou a protagonista da minha vida, não um homem.
e que mulheres (inclusive ela) não são anexos.

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